segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Darjeeling!!!


Vista das montanhas


Nosso quarto é antigo e tem estufa!

Toy Train

É tanto frio que sai fumacinha da boca.

Vou escrever mais sobre Darjeeling depois, mas as fotos falam por elas mesmas! Estamos a 2.134 metros de altura e é um dos lugares mais lindos e aconchegantes que já estive. Aqui está a Índia que agradaria o Pedro. Um lugar romântico, tranqüilo, relativamente limpo e com um frio ideal para tomar um vinhozinho! É a terra do chá mais famoso do mundo e aqui há expertos em chás que os avaliam como os sommeliers fazem com os vinhos. Muitos são caríssimos, dependendo da plantação e da forma de colheita.

É uma cidadezinha com 200 mil habitantes (nada para os parâmetros indianos), mas "infelizmente" está sendo "tomada" por turistas ocidentais. Fica no meio de montanhas, com casinhas pequeninhas, monastérios budistas e um agitado comércio local. Estamos na fronteira entre Nepal, China, Butão e Índia, perto da Cordilheira do Himalaia, daí tanto frio. Na verdade, sinto-me fora da Índia, até a população apresenta outro fenótipo: têm a pele mais clara, são mais altos que os indianos e têm os olhos puxados dos chineses.

A maior parte dos comerciantes é do Nepal, que veio para cá fugindo da pobreza do outro lado da fronteira. Também há lojas de artigos tibetanos que deixam qualquer ocidental maluco. Finalmente Rodrigo está curtindo a Índia e eu encontrei um lugar onde não há buzinas! Linda, nota 10 para a cidade e a paz que emana!

Ficarei mais alguns dias offline porque amanhã de manhã vamos para o Nepal fazer uma caminhada de 22 km para (11 ida e 11 de volta) para visitar um monastério budista. Vamos dormir por lá também, num hotel no meio da montanha e caminhar mais um pouquinho. (Mãe, você não errou de blog não, sou eu mesma! É muita aventura, nem eu entendo o porquê! hehehehe). Claro que um guia vai estar o tempo todo com a gente!

O trenzinho aí da foto é conhecido como "Toy Train" (Trem de brinquedo) e demora entre 8 e 9 horas para percorrer os 88 km que separam Darjeeling da estação de trem de New Jalpaiguri, onde chegamos. É um trem a vapor, parece super frágil e o trilho é o mais empinado e com curvas do mundo. Também é considerado Patrimônio da Humanidade. Muitas vezes, vão dois homens na frente do trem jogando cal no trilho para evitar que deslize. Acho que vamos fazer um pequeno percurso de 30 minutos esta tarde, 8 horas é muito pra mim!

Na sexta voltamos pra Delhi e escrevo mais, porque morro de saudade.

Dias na reserva de tigres de Bengala

Entrada da reserva

Nosso quarto
Rodrigo com mulheres locais
Os gringos ficaram doidos com este macaquinho!


Povoado local (Sunderban tem 10 mil habitantes nas mais de 200 ilhas)


Dança local

O único tigre que vimos - e ainda assim me assustou! hehehehe



Na última sexta-feira chegamos ao Sunderban Tiger Camp, a reserva de tigres que comentei antes. A ida foi longa, com 3 horas de ônibus e mais 2h45 de travessia de barco. Muito calor, mas para sair do caos das cidades grandes aqui da Índia, qualquer coisa vale a pena, até ir pro meio da selva.

Como todo mundo sabe, eu sou 100% urbana e a natureza não me emociona, mas 45 dias em Delhi deixa qualquer um com vontade de fugir pro meio do mato, sem o barulho das buzinas, e respirar ar puro. Segundo o Rodrigo, quando ele voltar para Barcelona, vai precisar tomar 3 Valiums para descansar do stress da Índia, tomar um banho com água sanitária e dormir 3 noites numa câmera de oxigênio (ao estilo Michael Jackson) para purificar os pulmões. Eu, depois de 3 meses, nem se fala! Mas a verdade é que toda a experiência está sendo genial.

Os dias na reserva foram bem tranqüilos e diferentes de tudo que já fiz na vida. Passávamos os dias entre passeios de barco e caminhadas para visitar os povoados locais. No entanto, o único tigre que vimos foi esse aí da foto: um cara fantasiado! Estava na guia, ver um tigre é exceção e não a regra, mas a gente sempre vai com aquela esperança... Além de não ter visto o tigre, também não vimos nenhum animal com o qual não estamos acostumados no Brasil ou Venezuela.

Enquanto os europeus e americanos ficavam malucos com um macaco ou um veado (eram tantos flashes que parecia a Gisele Bündchen entrando na passarela!), a gente ria pensando em como isso é uma coisa “comum” nas nossas vidas. Até para uma urbanóide como eu!

No camping, tinha gente do mundo inteiro e “colegamos” bastante com duas americanas e um casal de alemães. Nossos dias eram para caminhar, comer (comida indiana deliciosa apesar do curry!) e descansar. No terceiro dia fez um calor insuportável e a gente suava como se estivesse em Bangu. Assistimos à apresentação de dança local e a uma peça de teatro falada em indiano. Eu acho que aproveitei mais que o Rodrigo, porque, como não havia animais selvagens de verdade, tudo o que fiz foi descansar – e de verdade precisava.

A volta a Calcutá foi horrenda por causa do calor e do ônibus caindo aos pedaços. Chegamos à estação de trem 5 horas antes da partida, mas estávamos descansados (apesar da viagem) e com grandes expectativas em relação à terceira parte da viagem: Darjeeling – a terra do chá mais famoso do mundo!

Aí estão algumas fotos da Helena na selva – coisa impensável para alguns!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Dois dias em Calcutá


Rua inundada no primeiro dia


Barbeiro ao ar livre

Victoria Memorial

Amor em Calcutá

Templo Kalighat

Eu e o "pastor"


Chegamos em Calcutá em um mau dia: chovia sem parar e, por motivos políticos, havia uma greve geral das 6h às 18h. Foram 12 horas sem quase nenhum carro nas ruas, comércio e restaurantes fechados, lugares vazios. Encontrar um táxi foi tarefa difícil, porque todos negavam a corrida por medo de serem apedrejados por “furar” a greve.

Mudamos de hotel, porque o que reservei por Internet era impraticável e passamos a tarde descansando. Dormimos apenas 2 horas na noite anterior e até que a chuva chegou em boa hora! Saímos de noite para jantar num lugar maneiro recomendado pelo guia “Lonely Planet”, minha bíblia aqui. O maitre tinha o mesmo sobrenome do Rodrigo (Castillo, sabe-se lá porquê) e ficou doido com a gente.

Agora vamos ao passeio pela cidade e minhas impressões. Ontem (quarta) não deu pra ver ou sentir nada porque a cidade estava “morta” em função da greve. Tudo era muito tranqüilo e silencioso, nem parecia a Índia. Mas hoje, de volta à normalidade, eram carros e multidões em todos os lados – e buzinas. O trânsito, no entanto, parece ser mais tranqüilo que em Delhi e por aqui não há Otos, só táxis. Também não há bicicletas (ciclorickshaw), mas homens puxando uma carrocinha onde os passageiros se sentam. Não me sentiria bem num veículo de “tração humana”, mas qualquer ofício é digno, ainda mais em um país onde abunda mão-de-obra e falta oferta de trabalho.

Calcutá é conhecida como a capital intelectual da Índia, com uma forte herança britânica, tanto nos costumes quanto na arquitetura. Dizem aqui que nenhuma outra cidade indiana usufruiu mais das virtudes dos ingleses, mas que nenhuma outra pagou preço tão alto com a independência da colônia, quando dezenas de milhares de indianos morreram de fome e miséria. A maior revolta dos habitantes da orgulhosa capital de Bengala Ocidental é a maneira como ficou conhecida no Ocidente: como uma cidade miserável e decadente. Mais moderna e cosmopolita que Delhi, Calcutá também é famosa pela culinária bengali e até tem uma zona da cidade (Park Street) que é comparada ao SoHo, em Nova York.

Conhecemos os lugares turísticos mais importantes da cidade, como o Victoria Memorial, a construção mais impressionante do Raj britânico em todo o país. Parece uma mistura da Catedral de St. Paul (que fica ao lado) e o Taj Mahal (já que também é todo de mármore branco). Almoçamos num restaurante - Ivory - de um dos chefs mais famosos daqui (Sanjeer Kapoor), comemos de putísima madre (como dizem os espanhóis!) e pagamos menos que por um restaurante de menú em Barcelona.

De tarde tive minha primeira experiência em um templo hinduísta. Visitamos o Templo Kalighat, que fica num beco muito do sujo e cuja estrutura atual data de 1809. Atrás do templo, fica uma espantoso “cercadinho” onde são realizados rituais de decapitação de cabras (considerada a representação viva do mal) em honra da deusa Kali, a esposa do deus Siva. Esses rituais acontecem de 6h às 12h e, graças a Deus, chegamos às 16h e vimos apenas cocos sendo quebrados pelos que não compartem o gosto de sacrificar animais (mas o ritual possui o mesmo significado: espantar o mal).

Um guia ou pastor, não sei, me explicou os princípios básicos da religião - criação, distração (no sentido de espantar as coisas negativas) e preservação -, nos abençoou (não sei se este seria o verbo apropriado para o hinduísmo), pintou nossa testa com esse ponto laranja que significa “pela graça de deus” e me fez amarrar uma pedra numa árvore sagrada e fazer um pedido. Fiz tudo isso e depois ele me pediu dinheiro para doações; como não tinha cash (rúpias), ele me disse que aceitavam dólar ou euro também. Dei o dinheiro, mas não me senti confortável. Esta é, aliás, uma das grandes críticas em relação ao hinduísmo: tudo gira em torno do dinheiro. Mas valeu como experiência e conhecimento. Cada vez mais vejo que meu terreno é uma fé inabalável, mas não religiões.

Em função do terrorismo islâmico, segundo me disse o “pastor”, não se pode tomar fotos do templo, nem ao redor. O que é uma pena, porque as cores e as formas são muito bonitas e alegres. Cada dia, 25 mil pessoas vão rezar nesse templo. Outra curiosidade é que o nome do templo deu origem ao nome da cidade: Kalighat (lugar de Kali) tornou-se Calcutá (ou Kolkata). Consegui apenas duas fotos: da cúpula do templo e do pastor (Rodrigo alucinava com os dentes do velhinho!).

Apesar de algumas zonas de pobreza extrema, Calcutá é uma cidade bonita e com muito verde, mas a umidade é tamanha que a gente fica inchada e com a sensação de cansaço o dia inteiro. 48 horas é muito pouco para avaliar uma cidade, mas não trocaria minha feia e caótica Delhi por aqui não!

A partir de amanhã (sexta) e até domingo, estaremos em Sunderban Tiger Camp, a reserva de tigres de Bengala que é Patrimônio da Humanidade (quem quiser dar uma olhada, o site é www.sunderbantigercamp.com). O que eu vou fazer lá no meio da vida selvagem ainda não sei, mas decidi provar essa aventura. É no meio do nada e duvido que haja Internet. Andei lendo umas coisas que não me animaram muito para essa viagem não, mas não vou contar aqui porque vocês vão ficar preocupados! hehehe Prometo fotos minhas num safári e não com um livro na mão deitada na cabana!

Beijos e bom fim-de-semana.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Para a sócia! (Decidi publicar, mesmo com o atraso)





Este post de comidas é só para a Baby, minha amiga-sócia-companheira-confidente-chef, que fez aniversário no último domingo e eu nem liguei pra ela. A gente não esqueceu você não, ok? Cada restaurante que vamos, pensamos em você – Rodrigo até escreveu seu nome com o molho de espinafre!

A comida é o que tem salvado os dias do Rodrigo aqui (e ele come com a mão, que nem os indianos!), porque não gostou nadinha de Delhi. Minha missão é mostrar o lado bom da Índia até o dia 10, quando ele volta pra Barcelona.

Enfim, parabéns, Baby! Você é tão especial que é a única pessoa que eu conheço que faz aniversário duas vezes por ano! hehehe Seu presente já está na mala e foi a coisa que eu mais me diverti comprando. Comemoraremos no dia 1º de dezembro. Pede folga dessa cozinha aí de uma vez!

PS: Minhas unhas estão amarelas e meu cabelo cheira (fede) a curry.

Beijos.

Mais fotos de Agra (com texto e fotos novas!)





Mesquita ao lado do Taj Mahal


Interior do Forte de Agra

O marido no Forte!

Mais fotos de Agra que eu prometi, porque faltam palavras pra explicar o Taj Mahal. Amanha coloco o texto que escrevi, porque me esqueci de salva-lo no pen drive. Una tonta...

O TEXTO ESQUECIDO ONTEM:

Por uma série de contratempos que vou explicar em outro post, incluindo chuva torrencial e greve geral em Calcutá, temos que ficar no hotel esta tarde. Então resolvi aproveitar para colocar mais fotos dessa experiência única que foi conhecer o Taj Mahal. Segundo o Rodrigo, o lugar emana paz e ele se sentiu super bem lá (além de ser o único lugar limpo que viu por aqui). Já eu fiquei impressionada com tamanho amor! No fundo, no fundo, a essência da vida é esta mesma: amar e ter a sorte de ser amado... Mas vou deixar pra lá porque esta chuva me deixa sentimental demais.

Depois do Taj, como todo turista, fomos ao Forte de Agra, o mais importante da Índia. É uma construção impressionante também e seria super admirada e fotografada se não estivesse a 3 minutos do imponente Taj Mahal. É uma “disputa” desleal, qualquer coisa perderia a graça depois de uma visita ao mausoléu mais famoso da humanidade.

Há turistas do mundo inteiro, mas a maioria é de indianos mesmo. Enquanto os turistas estrangeiros pagam 750 rúpias (cerca de 14 euros), os indianos pagam apenas 30 rúpias (o que não chega a 1 euro). Em todos os monumentos e lugares turísticos aqui os preços são diferentes – o que me parece mais que justo para que a população local possa usufruir das belezas que possui. Para se ter uma idéia, 700 rúpias é mais do que ganha a imensa maioria dos trabalhadores por mês!

O único inconveniente é que, como em todos os cantos da Índia, há gente demais em Agra! A quantidade de vendedores ambulantes é impressionante e eles te perseguem de verdade. Um “não” curto e grosso não é o suficiente para o cara desistir da venda, ele te acompanha até o carro gritando e tentando fazer você comprar as mais diversas bugingangas – de réplica do Taj a chicotes! Ok, ok, isso faz parte e não acontece apenas lá em Agra.

A volta pra casa foi longa e cansativa. Repito: depois dessa temporada aqui, minha capacidade auditiva ficará sensivelmente prejudicada! Eles não param de buzinar porque simplesmente não usam o retrovisor e o motorista nunca sabe quem vem atrás ou dos lados... Rodrigo sentiu na pele o que eu venho dizendo há semanas: não existe tarefa fácil na Índia! Mas tudo bem, a gente releva qualquer barulho ou desordem depois de ter visitado um dos lugares mais fascinantes do mundo!

ALL YOU NEED IS LOVE.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

As loucuras do transito na India!







Lembram que falei aqui que tinha visto um Oto com 11 pessoas? A Priscila ate pediu pra colocar foto para "provar" a facanha. Pois aqui estao as fotos! Numa delas, eu e Rodrigo (sim, tenho testumunha!) contamos 17 pessoas. E 4 homens numa moto sem capacete. Isso e pura India!

Algumas imagens do conturbado transito nas rodovias indianas. Tiramos essas fotos na estrada de Delhi a Agra na segunda-feira. Os motoristas indianos, se aqui funcionasse a carteira de motorista por pontos, perderiam a mesma em um dia. E um terreno sem lei e cheio de animais!

Estamos agora no aeroporto de Calcuta e achei esse cyber cafe. O teclado nao tem acento, mas eu posso deixar essas fotos. Ate breve!




No Taj Mahal!!!!


Hoje foi um dia corrido e continuamos correndo. Nao da para escrever muito porque ainda nao fizemos a mala e vamos pra Calcuta esta madrugada.
Deixo aqui duas fotos do Taj Mahal, a construcao mais impressionante que vi na vida. Mais que piramides do Egito, Torre Eiffel, Cristo Redentor… So perde pra Sagrada Familia, que todos sabem que mora no meu coracao. E o melhor de tudo: construido por amor! Aproveitei muito o dia e nao poderia estar com melhor companhia!

Por pura falta de tempo, nao posso escrever mais. Mas Wikipedia me salva e conta um pouquinho da historia que eu prometi postar aqui:

"O Taj Mahal (em hindi ताज महल, persa تاج محل) é um mausoléu situado em Agra, pequena cidade da Índia.Foi recentemente anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em uma celebração em Lisboa no dia 7 de Julho de 2007.

A obra foi feita entre
1630 e 1652 com a força de cerca de 22 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no suntuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.

Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de
amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semi preciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.

Supõe-se que o imperador pretendia fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.

Apesar de sua opulência, o Taj Mahal é na verdade um gigantesco
mausoléu e não um palácio, como muitos pensam.Conta a lenda,que quem o visita,consegue achar o verdadeiro amor de sua vida, convivendo com ele ate a morte".

Nos proximos 10 dias estarei fora de Delhi. Amanha vamos pra Calcuta, depois passaremos 3 dias numa reserva de tigres de Bengala, depois vamos pra Darjeeling e tentaremos cruzar a fronteira do Nepal chegar o mais perto possivel do Monte Everest. Portanto, nao sei quando estarei aqui de volta! Tentarei postar fotos sempre que possivel.